Neste domingo, 30 de março de 2025, diversas cidades brasileiras foram palco de manifestações em defesa da democracia e contra a possível anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. O movimento ganhou força, principalmente em São Paulo, onde milhares de manifestantes protestaram contra qualquer tentativa de anistiar os responsáveis pela depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes e outros envolvidos na tentativa de destituição do governo eleito. Esses atos têm como objetivo reforçar a importância da justiça e da preservação dos princípios democráticos em um momento em que os golpistas ainda buscam enfraquecer as instituições do Brasil.
A cidade de São Paulo foi o centro da maior concentração de pessoas, com uma marcha simbólica que partiu da Avenida Paulista e percorreu importantes locais da cidade, como a Vila Mariana e o antigo prédio do Destacamento de Operações de Informação (DOI-CODI). O simbolismo do trajeto é claro: ele remonta ao período da ditadura militar, lembrando os tempos de repressão e censura. O evento foi organizado por sindicatos, movimentos sociais e outras entidades que se uniram em um único objetivo: garantir que os responsáveis pelos atos golpistas sejam devidamente punidos e que tentativas de golpe sejam coibidas no futuro.
Os participantes das manifestações deixaram claro que a proposta de anistiar os envolvidos no golpe de 8 de janeiro é uma ameaça à democracia brasileira. Lenir Correia, uma das manifestantes, expressou a preocupação de que, ao conceder anistia, o Brasil estaria abrindo um precedente perigoso para futuras tentativas de subversão da ordem democrática. Para ela, a anistia é como uma carta branca para a repetição de atos antidemocráticos, algo que não pode ser tolerado em uma sociedade que valoriza a liberdade e a justiça.
Em paralelo, no Rio de Janeiro, o domingo foi marcado por mobilizações e panfletagens que prepararam o terreno para um ato ainda maior, previsto para terça-feira, 1º de abril. A mobilização no Rio reflete o crescente apoio popular à ideia de que a anistia a golpistas é inaceitável. Entidades como a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia participaram das atividades, destacando que a defesa da democracia não deve ser um compromisso partidário, mas sim um valor que une todos os brasileiros que respeitam o Estado de Direito.
Os manifestantes do Rio de Janeiro também lembraram o aniversário do golpe de 1964, com uma série de ações de lembrança do regime militar e das atrocidades cometidas durante a ditadura. A ligação entre o golpe de 1964 e as tentativas golpistas mais recentes ficou evidente nas falas de manifestantes que lembraram como o Brasil já viveu uma ditadura e como os golpes de 1964 e de 2023 representam uma afronta aos direitos fundamentais dos cidadãos. Eles afirmam que a memória do passado precisa ser preservada para garantir que o país nunca mais volte a viver sob regimes autoritários.
Além de São Paulo e Rio de Janeiro, outras cidades também registraram mobilizações. Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, São Luís, Belém, Recife e Curitiba foram algumas das capitais onde protestos contra a anistia a golpistas foram registrados. Embora com uma participação menor em comparação a São Paulo, esses atos demonstram que a preocupação com a preservação da democracia é um sentimento nacional, que transcende as fronteiras das grandes metrópoles.
Em São Paulo, a manifestação foi marcada por um sentimento de união entre diferentes movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para esses grupos, a luta contra a anistia e pela punição dos golpistas é uma questão que vai além do político, pois está em jogo a defesa das conquistas sociais e da liberdade de expressão. A mensagem dos manifestantes é clara: não se pode permitir que o Brasil retroceda em termos de direitos e liberdade, especialmente quando se trata de proteger os avanços democráticos conquistados ao longo das últimas décadas.
No cenário político atual, onde as tensões continuam a se intensificar, o debate sobre a anistia aos golpistas é uma questão central. O governo, de um lado, afirma que a justiça deve ser feita dentro dos limites da lei, mas a pressão popular exige respostas rápidas e contundentes. Para os manifestantes, qualquer tipo de anistia aos responsáveis pelos atentados de 8 de janeiro seria uma afronta à justiça e ao Estado de Direito, comprometendo a credibilidade das instituições brasileiras e deixando um perigoso precedente para o futuro.
A manifestação deste domingo também deixou claro que, enquanto o debate sobre a anistia continua no cenário político, a mobilização popular será um fator importante na definição do rumo do país. A união de movimentos sociais e políticos em torno de um único objetivo – a defesa da democracia – tem o poder de moldar a opinião pública e influenciar as decisões dos líderes políticos. O Brasil está diante de um momento crucial em sua história, e a mobilização contra a anistia é uma prova de que a sociedade civil não ficará indiferente diante de ameaças à sua liberdade e soberania.
Em resumo, os atos contra a anistia a golpistas, realizados em diversas cidades brasileiras, são uma manifestação clara da preocupação da sociedade com o futuro da democracia no Brasil. Com o apoio de movimentos sociais, sindicatos e cidadãos comuns, essas manifestações reafirmam o compromisso do povo brasileiro com a justiça e a preservação das conquistas democráticas. O Brasil, mais do que nunca, precisa se manter firme em sua defesa da democracia, garantindo que qualquer tentativa de golpe seja punida e que o Estado de Direito prevaleça acima de tudo.
Autor: Viktor Ivanov