Noticias

Arquitetura aplicada à infraestrutura: quando o projeto ambiental precisa ser também um projeto de lugar

O engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, tem uma convicção que começa a ecoar em grandes escritórios, secretarias municipais e programas de financiamento: a ideia de que a infraestrutura ambiental de qualidade não pode ser apenas funcional, mas precisa também ser bem projetada, considerando o impacto visual sobre o entorno, a integração com a paisagem urbana ou natural, a experiência das comunidades que vivem próximas às instalações e a longevidade dos materiais utilizados. Em 2026, essa visão deixou de ser luxo e passou a ser exigência em muitos editais públicos e contratos privados, tendo consequências práticas sobre a aceitação social das obras, sobre a facilidade de obtenção de licenças ambientais e sobre a vida útil das instalações. E começa a redefinir o que significa fazer engenharia ambiental com excelência.

A fusão entre arquitetura e engenharia ambiental não é nova no debate acadêmico. O que é novo é sua incorporação à lógica de execução de obras reais, como aterros, estações de tratamento, usinas de recuperação energética, sistemas de drenagem e parques lineares de contenção de cheias. Projetos que antes eram concebidos exclusivamente a partir de critérios técnicos e orçamentários agora precisam responder a perguntas que eram domínio da arquitetura: Como essa estrutura se relaciona com seu entorno? O que ela comunica para quem passa por ela? Como ela vai envelhecer?

Por que obras de infraestrutura rejeitam comunidades? 

Estações de tratamento de esgoto, aterros sanitários e usinas de resíduos costumam ser projetos indesejados. As comunidades do entorno as enxergam como fontes de odor, tráfego de caminhões, desvalorização imobiliária e risco à saúde. Esse rejeito, que os especialistas chamam de síndrome Nimby, do inglês “not in my backyard” (não no meu jardim), tem atrasado obras importantes e gerado conflitos sociais desnecessários em todo o Brasil.

A resposta técnica tradicional foi tentar esconder as instalações: muros altos, localização periférica, projeto arquitetônico mínimo. Mas essa abordagem tem se mostrado contraproducente. Quando a comunidade não entende o que aquela estrutura faz e não percebe benefícios concretos de sua presença, o conflito tende a se agravar. Conforme Odair José Mannrich, a alternativa que vem ganhando espaço é a oposta: abrir o projeto, integrar a instalação à vida urbana, criar espaços de convivência ao redor da infraestrutura e comunicar de forma transparente o que acontece dentro daquele perímetro.

Gêmeos digitais e o projeto que dura mais

Uma das inovações com maior impacto sobre obras de grande porte em 2026 é a consolidação dos gêmeos digitais, que são modelos computacionais que replicam a instalação física com precisão milimétrica e são alimentados por dados em tempo real ao longo de toda a operação. Para a infraestrutura ambiental, essa tecnologia muda a forma de prever deterioração de materiais, planejar manutenções e antecipar impactos ambientais de eventos climáticos extremos.

Odair José Mannrich
Odair José Mannrich

Odair José Mannrich tem incorporado essa abordagem em projetos que demandam vida útil longa e alta exigência de desempenho ambiental. Um sistema de drenagem urbana ou uma estação de tratamento projetada com suporte de gêmeos digitais pode ser ajustada continuamente com base no comportamento real da instalação, reduzindo custos de operação, ampliando a eficiência energética e prolongando o prazo antes de uma necessária ampliação. É a engenharia como processo contínuo, não apenas como entrega pontual.

Materiais que carregam história ambiental

A escolha dos materiais em obras de infraestrutura ambiental ganhou uma dimensão que antes não existia: a rastreabilidade. Cada tonelada de concreto, cada metro de tubulação, cada estrutura metálica agora precisa responder a perguntas sobre origem, pegada de carbono, possibilidade de reaproveitamento ao final da vida útil e impacto sobre o ambiente local durante a construção. Financiadores com critérios ESG rigorosos exigem essa documentação como condição para liberação de recursos.

O concreto verde, material que utiliza cinzas volantes, escória de alto-forno ou argila calcinada em substituição parcial ao cimento Portland, já aparece em obras de referência no Brasil. Nesse ínterim, Odair José Mannrich explicita que sua adoção em projetos de infraestrutura ambiental tem uma coerência de princípio: uma estação de tratamento de esgoto construída com materiais de baixo carbono é, por dentro e por fora, uma declaração de princípios ambientais. Isso importa para a reputação dos projetos, para a confiança das comunidades e para a credibilidade junto aos reguladores.

O que define um projeto de infraestrutura ambiental exemplar?

A resposta a essa pergunta mudou nos últimos cinco anos. Antes, um projeto exemplar era aquele que entregava a função técnica dentro do prazo e do orçamento. Hoje, os critérios são mais amplos: impacto ambiental líquido positivo ao longo da vida útil, integração com o entorno, capacidade de adaptação a cenários climáticos futuros, rastreabilidade dos materiais e impacto social mensurável sobre as comunidades afetadas.

Essa nova régua exige profissionais e empresas capazes de pensar em múltiplas escalas ao mesmo tempo, da especificação técnica de uma válvula até a relação da obra com o ecossistema regional. É um desafio que recompensa quem investe em formação, visão interdisciplinar e processos de qualidade.

Para Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, esse é o horizonte que orienta cada projeto: não apenas construir o que foi especificado, mas contribuir para que a infraestrutura ambiental brasileira seja, de fato, uma infraestrutura para o futuro. A diferença entre o que existe hoje e o que precisa existir amanhã é exatamente o tamanho da oportunidade que o setor tem pela frente.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo