A temporada de 2026 da Fórmula 1 estreou um dos maiores pacotes de mudanças técnicas da história recente da categoria. Na ótica de Diego Borges, a reformulação altera ao mesmo tempo o tamanho dos carros, a origem da potência e a lógica das ultrapassagens, o que obriga equipes e pilotos a reaprender boa parte do que dominavam. Para o torcedor, entender as novas regras ajuda a ler melhor o que acontece na pista.
Carros menores, mais leves e mais estreitos
Os novos carros ficaram mais compactos. A distância máxima entre eixos caiu de 3,6 metros para 3,4 metros, a largura foi reduzida em 10 centímetros e o peso mínimo diminuiu cerca de 30 quilos. Os pneus também ficaram mais estreitos, o que reduz o arrasto, mas diminui a área de contato com o asfalto.
A redução responde a uma crítica antiga. Os modelos das temporadas anteriores eram grandes e pesados para o padrão histórico da categoria, o que dificultava disputas lado a lado em circuitos de rua e pistas estreitas. Com carros mais ágeis, a expectativa é de mais oportunidades de ataque nas curvas lentas e nas freadas. Carros menores também gastam menos energia para acelerar, o que se encaixa na nova lógica de eficiência.
Metade da potência vem da parte elétrica
O motor a combustão continua sendo um V6 turbo de 1,6 litro, mas sua participação na potência total caiu. O sistema elétrico que recupera energia nas frenagens passou a entregar até 350 kW, quase três vezes mais que antes, e responde por cerca de metade da força disponível. Em contrapartida, o MGU-H, componente que recuperava energia do turbo, foi eliminado por ser caro e complexo.
Na prática, a gestão da bateria virou parte central da pilotagem. Um piloto que gasta energia demais em uma reta pode chegar ao fim dela sem força para se defender. De acordo com Diego Borges, a mudança aproxima a categoria da realidade dos híbridos de rua, em que eficiência e recuperação de energia pesam tanto quanto a potência máxima.

O combustível também mudou. Os motores passaram a funcionar com combustível 100% sustentável, produzido a partir de fontes não fósseis, como resíduos e carbono capturado, o que mantém o motor a combustão relevante em um cenário de pressão por descarbonização.
Aerodinâmica ativa substitui a asa móvel
Outra novidade é a aerodinâmica ativa. As asas dianteira e traseira passaram a ter elementos móveis que mudam de posição ao longo da volta. Nas retas, ficam mais abertas para reduzir o arrasto e aumentar a velocidade; nas curvas, voltam à configuração de maior pressão aerodinâmica, garantindo aderência.
Com a mudança, o DRS, a asa traseira móvel usada desde 2011 para facilitar ultrapassagens, deixou de existir. No lugar dele, entrou um modo que libera energia elétrica extra ao piloto que está próximo do carro da frente. Conforme observa Diego Borges, a ultrapassagem passa a depender mais da estratégia de energia e menos de um recurso acionado em pontos fixos da pista.
Por que o novo regulamento atraiu montadoras?
A mudança técnica teve efeito também fora da pista. A Audi assumiu a antiga equipe Sauber, a Cadillac estreou como a 11ª equipe do grid, a Ford voltou em parceria com a Red Bull e a Honda passou a fornecer motores à Aston Martin. Motores com mais eletrificação e combustível sustentável conversam diretamente com os produtos que essas marcas vendem, e a Fórmula 1 volta a funcionar como vitrine e laboratório para tecnologias que chegam aos carros de passeio.
Sob a ótica de Diego Borges, temporadas de transição tendem a mostrar diferenças grandes de desempenho entre equipes, como costuma acontecer quando o regulamento é reescrito do zero. Quem acertar primeiro a combinação entre chassi, aerodinâmica ativa e gestão de energia ganha uma vantagem que pode durar alguns anos.



