Como profissional com experiência em análise financeira e composição de custos, Márcio Pires de Moraes considera preocupante a interpretação de que 2026 é um ano sem custos para as empresas na transição tributária em curso no país. A cobrança dos novos tributos encontra-se suspensa no primeiro ano, porém as obrigações de declarar e adaptar sistemas já são integralmente exigidas, tornando esse período menos tranquilo.
É importante ressaltar que a fase de teste não deve ser tratada como um tempo de espera. Embora o valor efetivamente pago pelos novos tributos ainda seja simbólico, a empresa já está empregando esforços no ajuste do sistema de emissão de notas, na revisão da formação de preço e no mapeamento de créditos.
Ao longo deste artigo, Márcio Pires de Moraes ajuda a entender por que a ausência de cobrança neste primeiro ano não significa ausência de custo, e o que uma empresa deveria priorizar enquanto a transição ainda está em andamento.
Por que a fase de teste custa mais do que parece?
O modelo atual de transição opera sob a simultaneidade de diferentes regimes tributários, o que, por conseguinte, aumenta a complexidade das operações de cálculo e enseja maior possibilidade de erro exatamente no período em que a fiscalização se torna mais assertiva em relação às possíveis inconsistências.
Conforme a análise de Márcio Pires de Moraes, o risco financeiro real para este ano não está na alíquota simbólica cobrada atualmente, mas na formação de preço que ainda não foi revisada para o momento em que a cobrança for aplicada integralmente. Uma empresa que não recalcula sua margem considerando a nova estrutura tributária corre o risco de descobrir, já em plena vigência da cobrança cheia, que parte do que vendia com lucro passou a operar no limite ou até no prejuízo.
Novos tributos e suas implicações financeiras para as empresas
Márcio Pires de Moraes atenta para o aspecto de que o novo modelo destaca o tributo diretamente no documento fiscal, aumentando a rastreabilidade, mas também exigindo que a empresa entenda com exatidão quanto de crédito pode ser aproveitado em cada etapa da cadeia.

Empresas em regimes diferentes, como o Simples Nacional, o lucro presumido ou o lucro real, são afetadas de formas distintas por essa mudança. Dessa forma, a orientação genérica sobre o tema se torna pouco útil, pois não considera as particularidades de cada operação.
Portanto, a ignorância dessas distinções pode resultar na manutenção, por inércia, de uma estrutura de preço concebida para o sistema anterior, mesmo quando uma nova estrutura tributária já favoreceria uma composição de custo distinta.
Como usar o período de teste a favor da empresa?
Além disso, esse período de convivência entre os dois sistemas é uma oportunidade de simular, com dados reais, como a operação se comportaria sob o modelo definitivo, sem o risco de errar no pagamento efetivo do tributo. Para Márcio Pires de Moraes, empresas que aproveitam essa fase para revisar preço, sistema e crédito tributário chegam à cobrança integral com uma vantagem real sobre concorrentes que trataram o período de teste como um ano de trégua.
Essa simulação também possibilita a previsão de possíveis impactos tributários desproporcionais em produtos ou serviços específicos. Com isso, é possível ajustar o preço de forma gradativa, evitando oscilações repentinas no momento da cobrança integral.
A importância de antecipar mudanças tributárias na formação de preços
A revisão da formação de preço, considerando a estrutura tributária futura, e não apenas a atual, é o ponto que costuma fazer a maior diferença no resultado financeiro quando a transição se completar em definitivo. Atualizar os sistemas de emissão fiscal e capacitar a equipe responsável pela apuração tributária são medidas que reduzem a possibilidade de erros justamente no momento em que o Fisco está mapeando inconsistências para calibrar o modelo definitivo.
É importante ressaltar que o ano sem cobrança integral não deve ser interpretado como um intervalo de descanso na agenda tributária da empresa. Trata-se do período mais adequado para erros, testes e correções, antes que o novo sistema entre em pleno funcionamento e não haja espaço para ajustes.



